O desafio da reabertura mundial

 


A reabertura da economia e os desafios comportamentais de cada um
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Estamos vivendo um momento histórico, inédito, sem precedentes.

"Mas a pandemia não acabou. Ou acabou?"

"Não! A pandemia não acabou!"

 "Mas o mundo não pode mais ficar em lockdown. Nem em home-office. É tempo de reabrir!"

Sim, entramos no tempo da reabertura gradual. E agora se aproxima uma grande ameaça. Além do perigo real da segunda onda, terceira onda, “etc”, temos que estar atentos para outros tipos de crises reais que também nos assombram, mas ainda não nos demos conta ou talvez não estejamos atentos o suficiente.

Com a Covid ficamos muito tempo confinados, isolados em nossos próprios núcleos, nossas singelas cabanas, nossas bolhas particulares... Agora estamos com a falsa sensação de que toda ameaça está acabada.

Sentimos necessidade de sair, ver gente, socializar presencialmente e não apenas através da telinha. E isso é natural e legítimo.

Mas como será esse reencontro? Estamos todos diferentes, modificados na nossa maneira de enxergar a vida e sentir o mundo. Isso é um fato.

Nosso nível de tolerância se alterou muito neste período. Nossos hábitos de consumo definitivamente não são mais os mesmos. Nossas necessidades agora são outras. Aprendemos a viver com menos, a preservar aquilo que é mais importante.

Será que o mundo se modificou tanto assim? Ou que todos mudaram para melhor?

As empresas precisam mais do que nunca continuar lucrando para existir. Caso contrário, como restaurar a economia, tão afetada por essa pandemia? O comércio precisa urgentemente se reerguer para manter os vínculos empregatícios.

O grande questionamento é: como fazer isso sem ser ou parecer agressivo com as pessoas, os clientes, os trabalhadores, em um momento tão delicado de nossa estória?

E no meio de tantas transformações nos preparamos para esse reencontro? Ou será que quando ocorrer as pessoas estarão tão ansiosas que não deixarão espaços para o próximo, querendo monopolizar o tempo e a atenção apenas para si, a fim de suprir suas necessidades reprimidas durante o confinamento?

Há tempos que algumas empresas já vêm falando em seus treinamentos sobre como encantar o cliente, oferecer uma experiência inesquecível.

Mas temos profissionais realmente preparados para isso em um momento tão delicado onde tantas preocupações assolam a todos?

E os clientes, será que estão realmente à procura de uma experiência de encantamento ou em um primeiro momento irão apenas retornar transtornados após tanto tempo confinados, procurando uma válvula de escape para fugir do estresse após tantas dificuldades? E se for esse o caso, que certamente ocorrerá em alguns momentos, como contornar a situação sem parecer agressivo?

A grande verdade é que somos todos humanos e que se há pandemia para os clientes, também há pandemia para os profissionais.

É preciso entender que se os clientes estão passando por uma crise, os profissionais também estão sobrecarregados. E todos deveriam colaborar para um retorno gradual mais assertivo.

Ilustrando: quando eu trabalhava como vendedora no comércio - e não havia pandemia naquela época - ouvia muitas coisas de clientes que me chamava atenção. Uma das principais coisas era a clássica:

“Quem atende o público tem a obrigação de ter paciência.”

Certa ocasião, em uma boutique de alto nível, uma cliente ao se assustar com um valor de uma peça disse em tom elevado e agressivo em um domingo à tarde:

“Nossa moça, isso é o valor de um salário-mínimo. Você por acaso sabe o quanto é um salário-mínimo?” 

Como se os profissionais fossem obrigados a ouvir todos os desabafos e insatisfações das pessoas em silêncio, pois não pode haver reclamações de clientes sob risco de perda do emprego.

A grande reflexão é: como será esse retorno agora, em que os ânimos já estão naturalmente exaltados de ambos os lados devido à situação que estamos vivendo. Será que vamos ter maturidade suficiente para retornar ao convívio social, respeitando mutualmente, entendendo que todos estão passando suas dificuldades?

Vivemos um momento de desafios gigantescos.

Dia desses vi um garoto de uns 20 anos mais ou menos fazendo uma propaganda de seus serviços de personal em uma rede social. Em sua rede social ele colocava a foto de seu avô fazendo aulas online com ele sendo seu instrutor. Em seu discurso de propaganda ele dizia que o senhor era seu avô, tinha x anos, x problemas de saúde..., etc. E finalizava com um discurso na seguinte linha de raciocínio: se ele pode, qual é a sua desculpa para não fazer?

A minha grande reflexão aqui é: é esse o discurso que queremos ouvir, depois de tanto tempo confinados? Será que vai ser com esse tipo de argumentação que vamos reconquistar nossos clientes e nossa vida?

Estamos preparados emocionalmente para o retorno?

Até porque um suporte emocional e na área de comunicação não é uma tarefa tão simples assim e seus resultados vêm a médio e longo prazo.

As empresas pensaram em dar esse suporte para seus colaboradores? Ainda que seja com o intuito de reter e encantar seus clientes? E os profissionais, estão se preparando emocionalmente para ter uma comunicação assertiva com seus clientes, independente se a empresa na qual eles trabalham está lhe oferecendo essa estrutura?

E nós, público, que somos clientes de alguém, seja um mercado ou padaria, mas ainda assim clientes, o que estamos fazendo para contribuir para a comunicação positiva e não violenta nesse momento tão delicado do mundo atual? Estamos fazendo nossa parte?

Temos todos que ajudar a construir uma realidade melhor e não apenas esperar que os outros o façam por nós. Seja qual for nossa situação, nossa colocação, nossa atividade.

O desafio é individual. A reconstrução é coletiva!

#juntossomosmaisfortes

#juntospeloproximonovo

Fica a reflexão. Caso queiram compartilhar alguma experiência, sempre dentro dos padrões éticos, serão muito bem-vindos!

Obrigada a todos que leram e se interessaram pelo assunto! 


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