Nossa performance em tempos de urgências

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Foto de Castorly Stock no Pexels


As pessoas estão cada vez mais irritadas com as pequenas coisas.

Hoje venho trazer uma reflexão sobre paciência, urgência, performance e o que é essencial em nossas vidas.

Cada dia que passa o ser humano está com menos paciência. Esse tempo de pandemia deveria ter nos ensinado a diferenciar o que é essencial e o que pode esperar um pouquinho mais.

As dificuldades e os desafios que o mundo está atravessando são inéditas, nunca vividas nem imaginadas por nenhuma geração.  Cada pessoa está passando seu próprio desafio, seja pessoal, profissional ou de saúde. E independe de etnia, classe social, localização geográfica, profissão ou especialização.

Mas há quanto tempo vínhamos nesta espiral de urgência sem perceber?

Acredito que isso não seja somente efeito da pandemia e do stress do confinamento, mas sim consequência de um movimento de uma aceleração mundial.

Com a necessidade da tecnologia e o uso dela a nosso favor, e como a tecnologia atual é muito rápida, acredito na tese de que as pessoas estejam querendo agir na mesma velocidade dos computadores e da internet banda larga. E pior que isso, estão sem perceber cobrando essa velocidade dos seres humanos.

Um exemplo: se você envia uma mensagem via WhatsApp para alguém e essa pessoa não te responde na hora, qual a sua reação? Outro dia aconteceu comigo, uma pessoa me telefonou e eu não pude atender na hora. No mesmo momento a pessoa um me enviou um WhatsApp com uma figurinha de cara irritadíssima escrita: ATENDE!

OK, mas isso é só um fato isolado.

De verdade estamos todos tão cansados dessa situação que a primeira pessoa que surge na nossa frente despejamos todas as nossas insatisfações, sem nos importarmos com mais nada, sem usar filtro, e principalmente sem percebermos que podemos estar machucando mais ainda a outra pessoa que também está tão machucada quanto nós. Fazemos isso de maneira inconsciente, mas fazemos e não adianta negar que todos nós já tomamos essa atitude.

O mínimo que deveríamos estar aprendendo é sermos mais humanos e mais solidários.

Se transferirmos essa questão para o mercado de trabalho e o home-office, o problema toma outra dimensão.

Exigimos profissionais com alto grau de paciência e, ao mesmo tempo, é cobrada uma alta performance para a realização das tarefas.

Somos julgados pelo tempo que demoramos para realizar tal tarefa, pelo fato de não termos habilidade para utilizar tal aparelho eletrônico ou não estarmos sempre atualizados com a tecnologia y, não termos paciência com determinadas coisas e por aí vai...

Esta chamada performance conta altos pontos no tão concorrido mercado de trabalho, da mesma maneira que faz com que quem esteja dentro dele ou tentando se recolocar nele, muitas vezes, acaba se preocupando muito mais com a sua performance do que com a qualidade do seu trabalho em si.

Aquela tendência máxima de que qualidade de vida seria o maior diferencial das empresas agora é também o seu maior desafio.

Profissionais como terapeutas e psicólogos nunca foram tão necessários e requisitados.

Misturamos nossa vida pessoal com nossa vida profissional em um home-office forçado e nem sempre temos estrutura pessoal, física e emocional para tal.

Tivemos que aprender a lidar com questões que antes nem sabíamos que existiam, ou até tínhamos conhecimento delas, mas fazíamos questão de ignorá-las.

Nos tornamos pessoas diferentes. Profissionais diferentes. Cansados dessa situação toda, que quando parece que vai melhorar vêm uma nova temporada, tipo uma série de terror interminável.

A pandemia ainda está aí, infelizmente, e nossos desafios são muitos maiores.

A vida é muito maior. A nossa humanidade não pode ser perdida.

Esta é a guerra da nossa geração, que tinha vivido até aqui com o privilégio de nunca ter enfrentado uma.

Este é o momento de nos unirmos e não perdermos nossa humanidade nem a nossa sanidade mental contra real o inimigo que está querendo destruir nossas vidas.

Não podemos perder o foco!

Na guerra da nossa geração a nossa luta não é contra outro país ou contra outro ser humano, nossa luta é nos mantermos unidos para vencermos essa situação.

Nossa luta é sabermos diferenciar o que é importante, o que é essencial e o que é urgente.

E saber fazer as escolhas certas.

Fica a reflexão. Caso queiram compartilhar alguma experiência, sempre dentro dos padrões éticos, serão muito bem-vindos!

Obrigada a todos que leram e se interessaram pelo assunto! 

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