A arte da Comunicação
Hoje venho propor uma reflexão a todos sobre o modo como nos
comunicamos com o mundo e a maneira como isso afeta as nossas relações, seja no
trabalho, na nossa vida pessoal e até mesmo a nossa vida financeira, uma vez que a nossa comunicação influencia toda a nossa existência.
Quando eu entrei na faculdade em um curso de Comunicação, há
mais de 20 anos, me recordo do professor chegando na sala de aula no primeiro
dia afirmando: “Vocês acham que escolheram um curso fácil, de 4 anos, apenas
para ter um diploma e ganhar um carro? Engano, a comunicação é a arte mais
difícil do mundo”.
Mal sabíamos nós, jovens descolados de 18 anos, donos do
mundo, cheios de razão e verdades, o quão difícil é essa arte. Isso porque a
comunicação engloba não apenas a parte verbal e escrita, mas ainda a não
verbal, de marketing, mercadológica, corporativa, alternativa, visual, ufa,
isso sem contar as nuances da linguagem cultural de cada público e a maneira de
se relacionar entre as pessoas.
Nos comunicamos através de nossa postura física, expressões
faciais, maneira de vestir, tom de voz, escrita, proximidade física com o
outro. E atualmente através da comunicação digital, largamente utilizada por
todos.
Dependendo de cada cultura ou local, por exemplo, o tom de
voz ou determinados gestos podem ser considerados ofensivos e outros não. O
mesmo acontece com certas palavras e a maneira como elas são ditas.
Quando estamos em comunidades pequenas, fechadas, fica fácil
identificarmos esses códigos. A grande dificuldade começa a surgir quando
saímos da nossa bolha de proteção e ganhamos o tão sonhado mundo. Então
precisamos passar a conviver com o nosso diferente, o desconhecido, outras
culturas. O grande desafio é: como nos comunicar com um mundo que não
conhecemos? - É preciso estudar.
O Dr. Flávio Gikovate, que foi um renomado psiquiatra, em
seu canal do YouTube, fez uma excelente explicação sobre as dificuldades da
comunicação. https://bitlybr.com/xPLJ.
Grosso modo, existe aquilo que pensamos, o que pretendemos falar, o que falamos, o que o outro ouviu e entendeu. E nesse
caminho nem sempre o que o outro entendeu é o que dissemos ou ainda aquilo que expressamos é o que tínhamos planejado falar. Mais ou menos como aquela
brincadeira de criança do telefone sem fio, onde não se pode repetir a palavra.
O primeiro da fila falou banana e o último disse que recebeu a palavra
apartamento. Isso se na brincadeira não tiver que voltar para o primeiro da
fila, aí ele vai provavelmente receber a palavra férias. Algo mais ou menos
assim.
Segundo estudos realizados por Albert Mehrabian em 1967,
apenas 7% da comunicação se dá pelas palavras, 38% se dão pelo tom de voz (ou a
maneira como se diz a mensagem) e 55% pela linguagem corporal.
E nem sempre as pessoas se fazem compreender.
Os conflitos.
Quando refletimos sobre este ponto de vista fica mais fácil
de entendermos a origem de vários problemas que surgem em nossa vida, as
dificuldades e os problemas de convivência que enfrentamos, como, por exemplo, em nosso condomínio, na nossa família e principalmente no mundo corporativo.
Recentemente tive a oportunidade de participar de um
congresso na FIESP onde se debatia a questão do bem-estar como diferencial
competitivo das empresas. https://bitlybr.com/WuiMWh.
Após uma das palestras, em uma roda de debates com alguns
empreendedores de diversas áreas, a conclusão era sempre a mesma: resolver
problemas técnicos, ajustar planilhas, aprender novas tecnologias, tudo isso é
sempre muito fácil. A grande dificuldade sempre é gerenciar pessoas.
Gerenciar pessoas passa fundamentalmente pelo desafio de
realizar a comunicação assertiva.
Basicamente depende da maneira como você se expressa, como o
outro recebe a sua comunicação e como você percebe o outro.
A comunicação passa por um processo de entendimento não
apenas do que se quer dizer ou da maneira como se diz, mas ainda do não passar
por cima da autoridade do outro, por mais simples que ela seja.
E isso passa fundamentalmente pelo processo da escuta.
Receber um feedback sem pré-julgamentos é essencial, pois quando recebemos o
feedback e o pré-julgamos poderão ocorrer basicamente duas situações:
1. o interlocutor já não vai mais se sentir à vontade para
colaborar e irá simplesmente se afastar;
2. o interlocutor percebeu que ele não foi nem escutado ou
foi pré-julgado.
Em ambos os casos o diálogo se finaliza, ou nem começa.
Administração e gerenciamento de interesses.
Administrar ou gerenciar os conflitos que surgem entre as
pessoas é uma tarefa que exige muita habilidade, conhecimento e
autoconhecimento de quem está na posição de gestor da crise.
A pessoa destinada a essa tarefa, além de ser muito
preparada, ter muita compreensão sobre os códigos da linguagem, da comunicação
e até da psicologia humana, precisa ser o máximo isenta de julgamentos para
conseguir realizar a tarefa com sucesso.
Somos todos humanos e não existe o máximo de isenção de
julgamentos entre humanos.
Quando pensamos sobre isso nos ambientes corporativos o
desafio torna-se muito maior. Isso porque muitas vezes não é tão simples assim
administrar nossas paixões, nossas derrotas e nossas preferências pessoais para
que o melhor trabalho prevaleça. Em resumo, ninguém gosta de admitir o erro. E
nessas horas pode acontecer de algumas decisões não serem as mais assertivas, resultando em consequências que afetem algumas empresas e as pessoas
envolvidas em seus projetos.
Ressignificar e planejar nossos próximos passos.
Quando somos atingidos por uma decisão que no momento nos
impacta de maneira negativa, é a hora de ressignificar.
Ressignificar é a palavra atualmente mais usada para dar um novo significado à sua visão de mundo. https://bitlybr.com/qUp7AyJK.
Saber comunicar-se faz toda a diferença!
Porque se não fizermos uma longa reflexão sobre a situação e
não compreendermos os códigos da comunicação assertiva não conseguiremos seguir
adiante.
É preciso fazer uma análise do cenário, verificar quais são
as maiores possibilidades de acerto, qual a melhor maneira de agirmos (onde há
menos probabilidade de erros) e nos prepararmos para os próximos objetivos.
Então é o momento de fazer o planejamento sólido e
estratégico, pois sem ele as chances do nosso projeto fracassar serão muito
grandes. E seja qual for nosso projeto, para obter sucesso, é imprescindível
fazermos o planejamento.
Mas como planejamento é sempre uma pauta complexa, essencial
e muito fascinante, deixo este tema para um próximo encontro.
Fica a reflexão. Caso queiram compartilhar alguma
experiência, sempre dentro dos padrões éticos, serão muito bem-vindos!
Obrigada a todos que leram e se interessaram pelo assunto.

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