O quanto a dança me ensinou a lidar com o mundo corporativo

imagem de bailarina no alto da montanha simbolizando o sucesso
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Quando a vida ou alguém nos der uma rasteira, ou tentar, nós vamos responder: eu estou alerta, fiquei mais forte, vou voltar e mostrar o meu sucesso!

Olá, meus amigos, hoje eu venho falar sobre dois assuntos que parecem pertencer a universos tão distintos, mas que na minha visão de mundo estão muito mais conectados do que possa imaginar nossa vã filosofia, parafraseando Shakespeare.

Com minha formação de bailarina clássica e bacharel em Comunicação Social, por já atuar em diversas áreas, tanto no ballet (como bailarina, auxiliando os mestres em aulas e ensaios, marcações de palcos, participações em oficinas de danças), como em várias empresas atuando como profissional com um currículo bastante diversificado (já fui assistente de marketing, auxiliar de escritório, vendedora, atendente de telemarketing, empreendedora e inclusive dona de casa por um período – porque dona de casa não deveria ser considerado profissão?), acredito que consigo traçar um paralelo entre a arte da dança e o mundo corporativo, apontando semelhanças entre os fundamentos das técnicas da arte e as questões ligadas ao dia-a-dia dos desafios empresariais. Vamos a eles!

Aprendizagem.

Antes de mais nada precisamos ter a ambição de adquirir novos conhecimentos diariamente, pois aprender é um exercício constante que está sempre mexendo com nossa mente e nosso corpo.

Isso acontece independente da área que atuamos. Na arte, na dança, na música, no esporte, enfim, em qualquer profissão. Um médico, por exemplo, nunca pode parar de aprender. O mesmo acontece com um profissional de vendas ou marketing, pois o mercado está em constante mudanças. Seja qual for sua área de atuação, esteja sempre em um eterno processo de aprendizagem.

Aprender é um exercício diário e constante. Se estamos vivos, estamos aprendendo!

Resistência.

Na dança nosso corpo e nossa mente precisam de uma alta resistência para adquirirmos bom desempenho. Sem ela não conseguimos sobreviver ao primeiro mês, que dirá nos transformarmos em um profissional de ponta. Isso se adquire somente com muito trabalho e muita força de vontade. Esse trabalho na dança é traduzido por exercícios repetidos arduamente.

Quando traçamos um comparativo com o mundo dos negócios e seus altos e baixos, um grande profissional, se não tiver uma mente resistente para o mundo competitivo, não irá sobreviver no mercado de trabalho e certamente seu corpo e sua mente irão adoecer, prejudicando-o. Assim como as empresas, se não forem resistentes as súbitas mudanças, dificilmente permanecerão no mercado. E adoecer em empresas significa muitas vezes passar por dificuldades financeiras, prejudicando os profissionais que dela dependem.

Em empresas essa resistência é criada mediante vigilância, trabalho e atualizações para o que acontece com o mundo a nossa volta.

Sermos resistentes, estarmos sempre alinhados com as necessidades do mundo atual.

Resiliência.

No início de nossa vida no mundo artístico muitas vezes não temos a oportunidade de escolher nossos mestres ou nossos colegas, muitas vezes somos preteridos por outras pessoas com mais ou menos talento, um corpo mais adequado ou outro motivo qualquer, independente se o outro tem mais talento do que nós, mas se almejamos alcançar nossos objetivos não podemos desistir ou tentar abrir nosso caminho a ferro e fogo.

Em um determinado momento da vida, com muito esforço, nosso talento é reconhecido e torna-se possível escolher nossos próprios mestres e colegas de trabalho, mas até lá nossa caminhada nos ensina a lidar com esses fatos da melhor maneira possível.

Isso também acontece no mundo corporativo, estamos sempre lidando com pessoas diversas e passando por situações que nem sempre são o que gostaríamos naquele momento ou as mais justas, mas que serão importantes para alcançarmos nossos objetivos. Tudo faz parte de um processo para atingirmos nosso destino maior, sermos o melhor profissional em nossa área, não importando qual ela seja. E sempre vamos ter que aprender a lidar com os melhores e os não tão bons momentos e pessoas, aprendendo sempre com a situação e deixando as portas abertas para o que e quem realmente nos interessou.

Resiliência não é aceitar tudo de cabeça baixa, mas é capacidade de aprender com a situação e no momento certo saber a hora de agir!

Disciplina.

Nem todos os passos de dança nós gostamos ou temos facilidade em fazer, mas faz parte da nossa formação. Assim como nem todas as etapas de um espetáculo de dança é prazeroso para seus membros. Sempre tem aquele dia que não estamos querendo ir para o ensaio, por exemplo. Mas precisamos da chamada disciplina para alcançarmos nossa meta final, que é entregar o melhor show para o público.

Quantas vezes na nossa vida corporativa isso já não aconteceu? Seja com aquele trabalho, aquele gestor ou aquele cliente mais difícil que precisamos atender com um sorriso no rosto, aquele projeto que nunca termina. Isso porque nosso propósito final é entregar o melhor trabalho, independente do nosso cansaço, seja ele físico ou mental. E após pronto finalmente virá o tão aguardado reconhecimento do cliente, o pagamento, o happy-hour e: o próximo projeto!

Disciplina, necessária para fazer o que deve ser feito, acreditando que o que está por vir será melhor!

Trabalho em Equipe.

Se não soubermos trabalhar em equipe, fica muito difícil montar nenhum espetáculo de sucesso.  Trabalhar em equipe não diz respeito apenas a uma questão de hierarquia, que é fundamental, mas também se refere a consciência de que cada membro do time deve ter seu valor respeitado, pois nenhum deles é melhor que outro, todos se complementam e todos são importantes para que a mágica da apresentação aconteça.

Nas cias artísticas, assim como nas empresas, é fundamental saber lidar com os egos e as vaidades de cada um, entender que as pessoas têm desejos de ser reconhecidas por suas funções e capacidades. Precisamos respeitar os trabalhos de cada membro da equipe, não ultrapassar os limites, sermos éticos e criarmos um bom ambiente, saudável, harmonioso, onde as pessoas se sintam à vontade para desenvolver suas melhores habilidades.

Fazendo isso conseguimos entregar o melhor projeto e a empresa certamente irá crescer.

Trabalho em equipe com ética e respeito a todos é fundamental para o sucesso!

Sucessos.

Quando um grande sucesso acontece no mundo artístico, é normalmente comemorado pela equipe inteira para que todos fiquem felizes e motivados para a próxima montagem. Mais que isso, todos se sentem parte da apresentação, independente de quem esteve no palco.

No mundo corporativo isso também “deveria” ocorrer.

Quando um projeto se torna um grande sucesso, o correto seria ser comemorado com toda a equipe envolvida, até mesmo para que todos se sintam parte dele. Dependendo da gestão, muitos esquecem de “convidar” alguns participantes ou colaboradores envolvidos para a comemoração do sucesso, talvez por julgar sua participação de menor importância. Isso pode gerar uma frustração por parte desses membros e desmotivá-los para o próximo projeto, fazendo com que não se esforcem tanto, pois no momento da comemoração eles foram simplesmente preteridos.

O sucesso quando chega ocorreu devido ao esforço de várias pessoas. Deve ser comemorado por todos os envolvidos!

Fracassos.

Fracassos acontecem para quem se arrisca. Um espetáculo que não aconteceu, um público que não respondeu como o esperado. Mas o artista sabe que foi apenas um trabalho que não deu certo e segue em frente, fazendo um ajuste aqui, outro ali ou simplesmente corrigindo o projeto e não necessariamente as pessoas envolvidas.

No mundo corporativo também temos em mente que nem tudo o que fazemos será 100% sucesso. Algumas coisas não darão certo e está tudo bem. Iremos fazer as mudanças necessárias, talvez mudar totalmente o rumo do projeto, os propósitos, os objetivos. Vamos estudar o que houve, o que fez com que não desse certo e simplesmente continuar. Não apontar defeitos nas pessoas, mas corrigir as atitudes erradas no geral para que o próximo seja mais assertivo.

Fracassos na maioria das vezes nos ensinam mais que muitos sucessos!

Recomeços.

No mundo da dança costumamos dizer que o dia mais difícil é o segundo dia após a estreia, pois quando tudo dá certo relaxamos após a tensão e aí os erros acontecem. É a hora do recomeço.

No mundo corporativo isso também é muito comum, os recomeços deveriam ser diários. Recomeços após sucessos são mais confortáveis, pois sempre ficamos mais confiantes e nesse momento podem acontecer alguns erros. Devemos ficar sempre alerta. Recomeços após fracassos muitas vezes podem ser mais consistentes, pois nessa hora aprendemos com nossos erros.

Devemos aplicar no mundo corporativo as técnicas artísticas de que cada dia é um recomeço, independente se anteriormente tivemos sucesso ou fracasso, não cairmos na armadilha de que já sabemos tudo.

Recomeços são diários e necessitam de humildade constante se quisermos estar entre os melhores. Independente de nossa idade, experiência anterior ou curriculum.

Foi assim que o ballet me ensinou a nunca desistir!

Este é um breve paralelo que eu enxergo entre estes dois mundos, dos quais eu pertenço e tento mesclar diariamente em sua essência. Acredito que a formação cultural, assim como a formação esportiva, auxilia muito para serem tomadas decisões mais assertivas por parte de todos em suas vidas, independentemente de suas atividades.

Fica a reflexão. Caso queiram compartilhar alguma experiência, sempre dentro dos padrões éticos, serão muito bem-vindos!

Obrigada a todos que leram e se interessaram pelo assunto.

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